Eu queria (poema fora desse contexto)
Para não dizer que eu sou melancólico
Poema sinestésico
Eu queria
Poder pegar uma gota do que sinto agora
E guardar em um frasco
Ainda que pequeno, mas transbordante
Para poder, ainda que em pequenas gotas
Um dia, no momento oportuno
Compartilhar com aqueles que sofrem
(Ou conosco mesmo quando estivermos sofrendo)
Seria possível salvar muitos dos suicidas
Curar dos leprosos da infelicidade
Muitas feridas
(Umas poucas e pequenas gotas
da felicidade doce
no mar salgado de umas amargas vidas)
Escrito por evirtus às 12h57
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El viaje
La cordillera
Las nubes altas como se buscaran el cielo donde están los dioses
En las nieves
Ni la mar se nos puede traer tantos peligrosos sueños y hechos
Tantos peligros silenciosos y mudos.
Porque la mar es salubre y salada
Y la cordillera es insalubre y muchas veces dulce.
Y ese dulzor que nos hipnotiza
Como las sirenas lo nos hacen con su canto
Muestran la dualidad desa cordillera.
En una ubicación lejana de nuestra mente blanda
Un sueño talvez
Pondramonos a cambiar el mundo:
Quizá todas las personas se podrian guiar por el espirito de la cordillera
Nacer en lo que está mas abajo
En la profundidad de la tierra
Romper la cascara de rocas de la superficies
Y chegar retumbante al cielo.
En la fortaleza del cielo, todos quienes estean allá, todo miran
A mí me gustaría cambiar mi vida como lo hizo la cordillera
Decidir un dia arribar mas e mas, hacia el cielo
Romper el suelo e exibir sus entrañas calientes
Pelear contra el frío, y la seca y la pobreza del aire
Sólo para mirar arriba de todos
Como nadie mira.
Hay que salir del conforto encarcelante de su tranquilidad tierra
Romper su superficie
Y mirar al cielo
Llegar a él
En busca de su ultimo paso.
Su ultimo y mas poderoso paso.
que seguramente dejará huellas en el camino por donde ha passado.
Y otros le seguirán.
Hacia arriba.
Como hizo ayer
Escrito por evirtus às 12h42
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Bem ou mal acho que estou em uma fase estranha de minha vida.
Um querer ser e não ser ao mesmo tempo.
Acordo como um fantasma, sinto-me um ser enclausurado
Preso, fixo, com estribos e rédeas sendo guiadas por um personagem
Sem rumo por correr sempre entre as mesmas margens
e encontrar lá no final uma grande barragem e o mesmo caminho cheio de grama e pasto
onde deleitam-se os animais ruminantes, que vivem disso mesmo
talvez até me esperando com um bocado do banquete deles para mim
Agora eu durmo, e não sonho nada de interessante
e amanheço, e o desinteresse continua em mim
O mundo não está ruim para mim
eu que estou ruim para o mundo
Eu fico tentando imaginar se isso terá solução
Não me lembro de ter tido isso outrora. Mas talvez sim.
Acho que essa inquietude faz parte de mim.
No fundo, no fundo
Nada me há de interessante
Nem pessoas, nem coisas, nem nada.
este é o tédio do deserto...
Tudo é monotonamente igual, previsível, chato.
As pessoas igualmente.
Eu me canso disso. Estou entediado de tudo isso.
Queria saber o que fazer para mudar tudo.
Mas meu mapa mental está em demasiado poluído por cicatrizes de paradigmas velhos
Olha, se você puder seguir um conselho de um amigo siga este conselho meu
Jamais encoste-se em qualquer lugar
Em qualquer pessoa
Jamais encoste-se em nada,
Depois de encostar você pode adormecer, e adormecido adoecer-se
e depois, sem saber direito, não ter ganas para levantar, nem saber como.
Eu procuro um chá, uma experiência mística, uma debilitação
Acho que farei um jejum de 40 dias para ver se mudo
Ou viajarei num avião que cairá no meio da montanha
Ou então irei para uma selva viver com os índios para tentar me achar
Se os índios forem tupis eu até posso aprender a falar o tupi
Seria interessante aprender a falar tupi
Eu não quero ser um ser civilizado
Essa civilização é um tédio só.
Acho que vou seguir pelo mundo com minha barraca de lona
Meu colchonete e mais nada
Viver dando pregações sobre as misérias humanas e da vida
ensinando as pessoas como elas não deveriam ser
Mas acho que sou muito inexperiente para isso, ainda
Nem eu sei como ser.
Nada me acontece. Infelizmente.
A única emoção que sinto é o sofrimento por não ter emoções.
Como um arroz insonso todos os dias
bebo uma água insípida e inodora
um leite sem cor
respiro o ar transparente
As coisas são muito sem graça assim.
Eu realmente concluo que preciso de uma experiência mística
Entrar numa fase paradoxal e limpar meu mapa da mente
Como está não está.
Posso virar comunista, ou altista, ou artista
Posso virar religioso e seguir pelo mundo fazendo pregações
Mas pelo menos posso vir a ser algo.
Essa sensação de ser é monótona.
Essa droga de verbo ser poderia não existir.
Se eu escrevesse em outro idioma eu talvez não estivesse assim.
Eu sofro porque o absoluto existe para mim.
Eu sofro porque agora SOU e não ESTOU.
Eu queria ESTAR assim
Mas sinto que SOU
Estou ficando cansado de SER.
Escrito por evirtus às 12h41
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Poema Antropozoomórfico
Poema antropozoomórfico
(sem compromisso geográfico)
Eu se fosse um animal um leão seria
Pega a caça, come-a e depois descansa
até a próxima.
Nada de ser como as vacas.
Pastam diariamente
E ficam pensando bobagens enquanto ruminam.
Se aparecer um leão elas fogem.
Enquanto ruminam devem brigar pelo poder das vacas.
O capim mais verde
A água mais fresca
A sombra mais fria
Enquanto isso o soberano leão as espreita
Porque sabe que elas ruminam por pouco
E por isso serão um banquete muito apetitoso.
Ruminar por coisas complexas endurece as carnes
O leão o sabe
Melhor que as vacas não o façam
Assim fornecem cortes mais macios e suculentos.
Escrito por evirtus às 12h04
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Do trabalho
Hoje resolvo falar sobre o trabalho.
Trabalho que, segundo Bacon, Marx, Freud e Vygotsky, é uma forma de modificar o homem. No fundo, o pensamento de Bacon, que alude ao trabalho como necessidade decorrente do pecado original do homem norteou a todos que vieram depois.
O trabalho mostrou-se como uma redenção depois da perda da sabedoria (Vygotsky quase o diz, e Bacon é categórico). Então é necessário que o pecador trabalhe para conseguir atingir o perdão.
Oras, quem é o dono do meio pelo qual realiza-se o trabalho? O senhor, o Patrão - dominus do latim que também é a alcunha dada a Deus!. Por meio do trabalho, oferecido pelo Patrão, o trabalhador vive. Isso seguramente cheira a "Por meio da redenção, oferecida pelo Senhor (Deus, Jesus), o pecador vive. Se for demitido, diga-se excomungado, viverá uma vida de privações e sofrimento, i.e., o inferno.
Não foi diferente na idade média. O patrão é o senhor (suserano, vassalo), o trabalhador é o servo (que do latim servus não difere muito de escravo), nada mais.
Pelos tempos antigos quem quer que fosse acusado de bruxaria era excomungado e condenado ao inferno. Leia-se hoje no lugar de inferno a demissão. Então aos maus, aos deslocados, aos diferentes, pedia a turba que o excomungasse, ou que o queimasse na fogueira.
Pede a turba hoje que o pecador, imoral, inadequado, seja demitido.
Tudo é exatamente a mesma coisa. Ter emprego é estar no céu. Estar demitido é ter sido condenado ao inferno.
Dia desses apareceu por aí uma atriz sendo condenada pelo povo por suas supostas más atitudes. Se fosse na idade média pediriam sua excomunhão da igreja. Pronto. Foi excomungada o inferno estaria garantido. Nada mais justo para o bom cristão que saber que o malvado arderá nas chamas.
Mas nos dias de hoje, pediram sua demissão. Já disse: trabalhador = pecador, trabalho = redenção, patrão=Deus/Jesus, emprego = ter vida, demissão = excomunhão.
A esta altura eu evoco o velho Nietzsche justamente para embasar esse pensamento. No fundo, o comportamento perante o trabalho nada mais é que uma metáfora da religiosidade. E talvez por isso possamos dizer que a Igreja (qualquer que seja) tenho contribuído tanto para a formação de trabalhadores eficientes e obedientes.
Suponho que Marx na sua "religião-ópio-das-massas" não queria concorrência nas suas idéias centrais, e talvez pela similitude dentre os mercados consumidores de ambas as idéias (socialismo e igreja). A filosofia socialista só fez trocar algumas palavras do cristianismo de nome, nada mais.
A reunião de vários pecadores - a Igreja, tornou-se a reunião de vários trabalhadores - o Proletariado. O poder do Sacerdote justificado pela sua superioridade moral travestiu-se no poder do líder socialista mestre da causa. Temos um rebanho e um pastor, em ambos os casos.
Essa questão da igualdade perante Deus (religião) trouxe a tona a igualdade na pátria. A idéia de que tudo é propriedade de Deus levou no socialismo a tudo ser propriedade do Estado. Então o estado socialista substitui o Deus cristão.
Então todos servem ao estado, e veja-se servir também na sua origem como escravizar-se, da mesma forma que servir a Deus.
Realmente, Marx só fez reinventar uma religião com palavras novas.
E onde entra o capitalismo selvagem nessa história?
Exatamente aproveitando-se da mesma idéia sobre a qual já falamos. Agora Deus é o patrão, a Igreja é a Indústria (que congrega vários trabalhadores). O açoite, a advertência, a humilhação de vez em quando - diga-se, o pecador reconhece que é necessário um sofrimento de vez em quando, senão para si, mas para os outros, por uma questão de justiça. O pecador precisa sofrer para facilitar a redenção.
No capitalismo, no entanto, excomungar parece mais fácil. Há várias indústrias por aí dispostas a acolher trabalhadores diversos como há várias igrejas para cada padrão de pecador. Dedicar-se ao trabalho é como dedicar-se à Igreja - e a necessidade do trabalhador-pecador sofrer é justamente a confirmação absoluta da comparação aqui colocada. E pecou, errou, inferno. Está ditada a condenação.
Antigamente se dizia: não faça nada errado senão você irá para o inferno. Hoje talvez se diga: não faça nada errado senão você vai ser demitido.
A que ponto chegamos. E uns a dizer por aí que o cristianismo-igreja está no fim.
o Feudalismo, o Socialismo e o Industrialismo são formas travestidas do mesmo.
As universidades que formam trabalhadores para a seara da pátria nada mais são que catequeses formadoras de rebanho. Algumas talvez melhores porque formam muito bem seus pastores.
Educar para o trabalho = educar para a redenção dos pecados. Admira-me essa proliferação tão intensa de centros de catecismo fora das igrejas. As universidades de teologia se proliferam.
Sacrificar a vida pessoal, a família, o trabalho e os prazeres pelo bem do trabalho é exatamente o que fazia o velho padre pelo bem da redenção. Isso o tornava sobrehumano, capaz de liderar muito bem os pecadores, com seu exemplo de renúncia e abdicação. Isso faz o chefe da divisão de trabalho moderna.
Ter prazer, e esteja Baco conosco nessa hora, é a antítese do trabalho - como foi, outrora, antítese da religião.
No fundo, eu creio que algumas exceções possam estar por aí a ocorrer - mas o padrão, ainda arraigado na mente de nossos cidadãos, proletariado-rebanho da igreja moderna, continua a funcionar assim: para trabalhar tem que sofrer, e se sofrer, colherá as graças.
Bem, nada mais absurdo.
Pelos ânimos de agora acredito que a próxima também versará sobre o trabalho. Ficaram algumas coisas sem falar.
Escrito por evirtus às 01h48
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A começar dizendo "por quê escrevo?"
Escrevo para falar das coisas, e sobre coisas. Desejo um olhar profundo sobre os fatos e observações, sejam eles sensíveis ou não por mim. Não tenho e nem quero esse compromisso com a realidade. Nomeio-me nesse momento, a vocês, um filósofo. Posso jazer nas chamas ardentes falando do gelo polar. Esta é minha questão.
Encontrará aqui, caso lhe seja assim permitido, um manual para se viver melhor, ou um compêndio de teorias sem cabimento (caso não se permita, é claro). Você o saberá.
Necessito dizer que ver a realidade do lado de fora dela é uma experiência para poucos. Libertos de mente e de valores, crianças sem julgamento. É isto que pretendo ser, e que pretendo que haja quem seja, não porque desejo discípulos ou prosélitos, mas porque desejo que o mundo piamente possa ser reestabelecido.
Esse texto pode estar relegado ao abandono por mim mesmo e por você. É possível que nem eu mesmo seja digno do que escrevo, e por isso nem eu mesmo mereça ler o que me é revelado.
É essencial, daqui para adiante, compreender que aqui não há nada de messiânico nem de profético. Tampouco de religioso, ou místico. Não é isso, e não deixe que algumas de minhas palavras ou expressões o engane.
Se assim entender o que escrevo terá sido vítima de tudo aquilo que desejo combater. E tentarei fazê-lo, a todo momento.
Quero que me entendam mal, e que me divulguem mal, e que encontrem contradição em cada palavra.
Cada leitor inicial é um inimigo a partir de agora. Lutemos.
O verdadeiro sentido é para os poucos.
Eu sinceramente farei o possível para você não suportar chegar ao final.
Escrito por evirtus às 14h48
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